Queria fraquejar como Paulo

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Pode ser que o título te assuste, mas continue lendo. Você vai entender. Ah, antes de começar a ler o post, dê uma passadinha em 2 Coríntios 12:7-10.

Essa semana, resolvi reler as cartas de Paulo. Não importa quantas vezes passe por elas, a cada vez que leio, Deus me apresenta uma nova perspectiva acerca do que ele escreveu. E, mais uma vez, cheguei ao versículo que, de tão citado, se tornou até meio clichê: “quando estou fraco, então sou forte”. (2 Coríntios 12:10b). Confesso que passei muito tempo sem entender esse paradoxo paulino, cheguei a achar que Paulo já estava meio louco quando escreveu isso, mas descobri que pra entender a fraqueza que ele cita, eu precisava viver uma experiência de fraqueza.

E eu vivi.

A fraqueza de Paulo estava no espinho que ele carregava na carne. Ele não se aprofunda acerca do que seria esse espinho, mas com toda certeza era algo que o deixava cambaleando vez e outra. Lutero defendia a ideia de que esse espinho seriam as perseguições que Paulo sofria por parte dos judeus, mas haviam outras situações que igualmente serviriam para delimitar o que seria o espinho na carne: os sofrimentos físicos, as vezes em que adoeceu, as lutas espirituais e psicológicas, etc. Mas, independente do que fosse, o espinho na carne de Paulo significava dificuldade, luta, guerra.

Assim como temos momentos extremamente bons com Deus, que nos fazem tocar o céu e enxergá-Lo em Seu trono, também temos momentos em que colocamos à prova a Sua intervenção nas nossas vidas. Quantas vezes você já passou por momentos difíceis e se perguntou onde estava Deus? Várias, tenho certeza. Pensando um pouco a respeito do espinho na carne e da fraqueza de Paulo, cheguei a uma conclusão: as fraquezas não são para nos testar, mas para nos retirar de pódios que criamos pra nós mesmos.

No início do capítulo 12, Paulo cita – em terceira pessoa – uma experiência de arrebatamento que teve em Tarso, antes de sair para sua primeira viagem missionária (registrada em Atos 13), e logo em seguida diz que o seu orgulho não está nas suas super experiências com Deus, mas nas suas fraquezas. Por isso, lhe foi colocado um espinho na carne, para que essa experiência não lhe trouxesse soberba espiritual.

Paulo entendia que os momentos de fraqueza eram os preferidos de Deus, porque era ali que Ele, soberano, manifestava toda a Sua glória. Quando nos sentimos fortes demais, denotamos essa força a nós mesmos, imprimimos em nós o mito da autossuficiência e começamos a achar que não precisamos de Deus, afinal de contas, estamos no topo. Porém, Ele permite que os espinhos na carne comecem a doer, que os momentos de fraqueza cheguem, para nos lembrar que a força sempre esteve conosco, mas nunca veio de nós, mas dEle.

E, ao pensar nisso, só conseguia dizer uma coisa: queria fraquejar como Paulo.

Em momentos de fraqueza, seja física ou espiritual, agimos de uma forma completamente oposta à de Paulo. Ao invés de enxergarmos Deus e toda a Sua ação a nosso favor, ocultamos Sua presença e passamos a questioná-la, como se estivéssemos sendo castigados. Não, os espinhos não são castigos, são apenas lembranças. Foi o meio que Deus encontrou para nos alertar acerca da nossa soberba espiritual. Você vive coisas extraordinárias? Beleza, isso é lindo. Mas a sua força não está nas suas experiências extraordinárias, mas naquilo que você vive com Deus quando está caído.

A fraqueza que Paulo cita é como uma puxada de tapete. Muitas vezes, não conseguimos enxergar Deus em nossas vidas porque estamos cheios de nós mesmos e daquela falsa impressão de que “somos os tais” no mundo espiritual. Então, Ele permite que caiamos para que percebamos o óbvio: o poder de Deus só entra nos locais em que o nosso “eu” dá o fora.

Foi-me colocado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para me atormentar. Por três vezes, roguei ao Senhor que o removesse de mim. Entretanto, Ele me declarou: “a minha graça te é suficiente, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Sendo assim, de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que o poder de Cristo repouse sobre mim. (v. 7b-9)

Paulo reconhece que a sua própria fraqueza e limitação humana abrem caminho para que ele possa experimentar o poder e a graça de Deus. Ele nos ensina que o motivo de maior orgulho deve ser a obra que a misericórdia de Deus opera em nossas vidas, e não a obra que as nossas mãos conduzem aqui. Deus não procura mãos que fazem, mas corações que se quebrantam.

Descobri que não devo mais pedir que o espinho da minha carne seja removido, porque é ele que me faz lembrar quem sou, de onde vim e quem me guia. É essa fraqueza que me torna humilde o suficiente para reconhecer que a força não vem de mim mesma, mas dEle. Então, resolvi mudar minha oração, pedindo pra que Deus me dê olhos capazes de enxergá-Lo nos momentos em que a dor começar a bater; espinhos geram graça quando entendemos a sua função. 

E assim, começamos a entender a máxima que abriu esse post: quando estou fraco, então estou forte. A fraqueza nos esvazia e nos refaz tal qual o modelo de Deus. É Ele que passa a ditar o passo a passo pra nos colocar no lugar que Ele quer. A força não vem do nosso eu, mas da retirada dele de nós mesmos. Ser feliz na fraqueza parece impossível pra muita gente, mas esse é o sentimento gerado quando entendemos que, nos momentos difíceis, Deus é tudo aquilo que precisamos – com bônus no final.

Antigamente, na época de Paulo, as moedas eram feitas de prata pura, mas alguns falsários fabricavam moedas de chumbo com a estampas das moedas em prata. No entanto, quando elas eram provadas, ou seja, quando eram jogadas no mármore, produziam um som na colisão que denunciava a natureza falsa da pedra. Nós somos como moedas: Deus usa determinados momentos para nos jogar no mármore pra nos mostrar que nossa fé é forjada, provada e autenticada nas provações.

Ele fez isso com Paulo, faz comigo e com você também. Não quero ressoar como chumbo, mas como prata. E à esse pedido, Deus apenas diz: venha. Deixe que eu faça a obra. Permita-se a fraqueza para que eu atue.

Agora entendo o que quer dizer – e eu me permito cair. Pode começar a me forjar de novo.

4 comentários sobre “Queria fraquejar como Paulo

  1. Sem dúvidas, Deus me trouxe pra mais junto dEle e me colocou pra pensar e refletir depois deste texto… Obrigado! Ministério lindo e valioso este do teu escrever… Percebe-se nitidamente que a luz e as palavras por aqui, tudo, é dedicado a Ele e por Ele são possíveis… Continue…

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