You gotta make it happen

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Foi no dia em que meu peito pareceu estar sendo esmagado por uma bigorna que eu percebi que precisava fazer alguma coisa a respeito. Respirei fundo várias vezes, mas o ar mal chegava aos pulmões. O peso no peito bloqueou boa parte das passagens de ar até meus pulmões, mas segui respirando fundo. O peso não me permitiu sair de onde eu estava, então segui respirando como se o esforço fosse desobstruir as ligações entre o material e o biológico – não para sempre, mas pelo menos durante aquele curto espaço de tempo.

Estava no ápice da minha existência – e eu descobri que existir cansa, pesa e desgasta. A existência que me colocava diante de uma agenda abarrotada de compromissos a serem cumpridos de segunda a segunda e engavetava, em contra partida, as listas de coisas que eu realmente queria fazer e não podia porque sempre sobravam compromissos-da-vida-adulta e faltava tempo. E, entre cumprir uma tarefa e fazer algo prazeroso pra mim – mesmo que fosse dormir – eu sempre escolhia a primeira opção.

Entenda uma coisa:

Estamos fadados a existir até o último dia, mas somos nós quem escolhemos apenas existir ou fazer mais do que isso. A sua rotina crua baseada em acordar, trabalhar, estudar e dormir pode até satisfazer a sua mente, mas talvez não faça tanto efeito no coração. Somos seres humanos e precisamos de válvulas de escape – de fazer aquilo que realmente nos traz alegria e satisfação – justamente para que não cheguemos ao limite de tudo sem uma luz no fim do túnel.

A intensidade da luz no fim do túnel depende mais do valor que dá a ela do que ao que você dá ao caminho. Se tudo que você faz é supervalorizado, aquilo que deveria ser a sua “luz” se torna insignificante – e então, chegamos ao cerne da questão: as pequenas alegrias diárias têm inexistido entre nós porque não sabemos enxergá-las da forma como deveríamos. 

Quer uma dica? Domine a sua existência antes que ela se torne um fardo – e antes que você olhe pra trás e perceba que passou toda uma vida carimbando papéis.

A válvula de escape

Solitude. A solidão ainda é usado como sinônimo de sentimentos extremamente destrutivos, mas ela nunca me assustou – muito pelo contrário. Ao entender que precisava trocar o meu peso por algo mais leve, desejei sair do tumulto, do falatório, do pulsar frenético das pessoas ao redor e simplesmente existir na minha solitude: sentada no chão do quarto ouvindo minhas bandas favoritas e pensando em como-melhorar-tudo-ao-meu-redor.

Acontece que a solitude, uma hora ou outra, te faz pensar que a existência é uma bolha impenetrável, quando ela é, na verdade, uma membrana tão frágil quanto a da bolha de sabão. Foi quando uma pessoa me disse: you gotta make it happen. No bom e velho português: você tem que fazer isso acontecer. E isso significava destruir a bolha da minha própria existência.

YGMIH

As pessoas – como eu – que abarrotam suas vidas de compromissos intermináveis raramente possuem momentos essencialmente felizes. Por que? Porque estão, quase sempre, fazendo alguma coisa. E esse “alguma coisa” raramente é algo que elas realmente desejam fazer. São obrigações aleatórias que subtraem as pequenas alegrias e encharcam a vida de pequenas enxaquecas.

Sempre levei algumas broncas por alimentar meus fardos extremamente pesados, minhas rotinas estressantes e por não dividir tudo isso com alguém. Acontece que pensar em tudo isso me fez chegar a uma conclusão: ninguém faz acontecer sozinho, e ninguém caminha até o final – carregando pesos – sozinho.  Ninguém foi feito para ser sozinho. Precisamos de pessoas que estejam dispostas a abraçar os nossos mundos e a tirar a lista de tarefas dos nossos sonhos do fundo da gaveta. Afinal de contas, as histórias que contaremos para os nossos filhos não estão nos carimbos dos escritórios, mas na vida vivida fora deles.

Tenho aprendido que a solitude pode até aliviar o peso da bigorna no peito, mas ela não vai ser a responsável por cumprir as tarefas da lista de coisas que eu realmente quero fazer e, pasme, não vai ser a responsável por trazer tranquilidade ao caos. Não vai ser ela a responsável por aliviar o dia a dia e me fazer compreender que existência e vivência são duas coisas completamente opostas. Ela alimenta a existência que já existe em nós; somos nós os responsáveis por alimentar as páginas de vida que estão escondidas no nosso interior.

Ninguém realiza nada estando parado no mesmo lugar. Essa frase soou profundamente hipócrita, mas é a hipocrisia mais verdadeira que já digitei. Fazer acontecer nunca foi sobre estar sentado na cama existindo, mas sempre foi sobre fazer algo. Ou não fazer nada – porque até “não fazer nada” já é fazer alguma coisa.

Seja o que for, apenas não permita que sua rotina estressante engula você. Não deixe que ela engavete aquilo que faz seu coração pulsar tranquilo. Opte por viver com tempo de sobra. Você já existe – felizmente; portanto, viva para além das limitações do seu calendário.

You gotta make it happen, bro.

 

 

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