O dia em que me afoguei

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Eu sempre amei o mar. Quando chegava na praia, antes de entrar no mar, ficava pelo menos meia hora observando o ir e vir paciente das ondas às 7h da manhã; observava a maré subir, descer, ouvia o barulho das ondas quebrando lá longe, num monte de rochas qualquer, e sentia paz. Era bom observar o mar. Era bom sentir a água fria tocando meus pés, mas não me parecia suficiente.

Até que um dia, o Dono do mar me chamou pra mergulhar.

Sem boias.Leia mais »

Jesus pensou na Kéfera

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Tenho certeza que Kéfera seria uma daquelas pessoas que Jesus chamaria para uma longa e tranquila caminhada, regada à conversa, desabafo e aconselhamento. Ele a convidaria para tomar um café no fim do dia e ali, ao redor da mesa, lhe contaria que muitos de seus irmãos deturpam Sua imagem, e aquilo que dizem não passa de uma miragem da cabeça humana.

Jesus não se importaria de mostrar as chagas nas mãos e a marca da lança na costela, e ainda diria a ela, com voz sublime e tranquila: meus irmãos acham que não, mas essas marcas também são por você.

Você provavelmente assistiu ao vídeo da Kéfera que gerou toda essa polêmica, certo? A internet parou por muitos dias pra falar disso e, claro, para que os cristãos 100% certinhos, dignos de serem chamados de arcanjos, pudessem emitir opiniões a respeito, que se alternaram entre pedidos de morte e de justiça da parte de Deus. Morte? Sim, morte. É bastante bizarro pensar que palavras de maldição saíram de pessoas que deveriam refletir um pouco de Cristo aqui na terra, mas aconteceu.Leia mais »

Hora de pedir perdão

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Nesses últimos dias, tenho pensado muito sobre o papel da Igreja nesse tempo. E quando falo em Igreja, não falo de denominações, mas das pessoas que a compõem – nós. Há muito tenho visto a Igreja se desviando do propósito de Deus para a humanidade, e esse distanciamento não tem sido unitário, mas coletivo. O discurso de amor que Jesus deixou para seguirmos virou um discurso de ego onde, se o seu próximo não atender aos requisitos mínimos, não é digno de amor, graça e misericórdia. A seletividade da vida cristã tem nos levado à seletividade da Igreja e da sua própria capacidade de influenciar para transformar.

Ainda não entendemos que “ser Igreja” não é viver dentro de um templo entoando louvores do Cantor Cristão e esperando pacientemente a volta de Jesus, sentados em nossas poltronas colchoadas, com ar condicionado nos 20º. Ser Igreja é viver o Evangelho de tal forma a transportar o céu pra terra – e isso só acontece fora. Out. A Igreja só faz sentido se for vista do lado de fora, porque convenhamos: luz não clareia luz. Leia mais »

Liberta-me de mim

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Tem muito de mim mesma que ainda precisa ser retirado daqui. Existe muita bagagem desnecessária que eu carrego só porque é visualmente bonito. Utilidade zero. Das vezes em que Jesus me parou no meio da estrada para perguntar se eu queria aliviar a carga e trocar de peso com Ele, falei que estava bem e que daria conta do recado. Mentira. Em menos de dez minutos eu já estava esbaforida, suada e cansada. Rendição? Nem pensar. Queria mostrar pra Ele que eu era forte – mesmo sem saber que de forte, eu não tinha nada, nem o apelido.

É engraçado pensar que ainda temos tanto de nós, mesmo procurando o máximo de Deus que conseguimos alcançar. Mas existe uma explicação lógica pra isso: não estamos acostumados a viver fora da nossa própria vontade ou, melhor dizendo, das nossas próprias escolhas. Sempre há um item de ressalvas quando o assunto é entregar tudo pra Jesus, deitar na rede e relaxar. Isso é normal, porque somos humanos, mas não deve ser rotineiro, porque somos filhos.Leia mais »

O inconformismo que gera salvação

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Comecei o ano riscando a palavra “comodismo” da minha lista de prioridades. No segundo dia do ano já estava praticando exercícios, comendo corretamente e procurando respostas. Eu cansei, cansei mesmo. Viver cômoda e camuflada em diversas situações me tira a paz – quem me conhece sabe. Viver o cristianismo no piloto automático, na beira do “tanto faz”, baseada sempre na individualidade não dá mais. Eu não quero mais saber de mim, eu quero saber das pessoas que estão ao meu redor, principalmente aquelas que são mais julgadas, apedrejadas, esquecidas nesse admirável mundo cão. Sim, esse texto vai falar de inconformismo. Sim, já chega de tanta gente cômoda vivendo como se Jesus não fosse voltar.

Na busca de ser como Jesus, acabei aprendendo que a lógica da graça é “primeiro o outro, depois o outro, por fim, eu mesmo”. Tudo que Ele fez ao longo dos três anos de ministérios foi olhar para o outro. O que fosse acontecer com Ele não importava, mas o que poderia ocorrer com o próximo, sim. Não sei se com você acontece o mesmo, mas não consigo dormir sem pensar na quantidade de gente que ainda precisa ouvir falar de Jesus. Não consigo dormir sem pensar se naquele dia Ele foi o centro a ponto das pessoas O enxergarem em mim. Por muito tempo isso não me incomodou, mas hoje, o desejo de sair por aí e aposentar minha poltrona espiritual está mais vivo que fogo em brasa – e se me dessem a oportunidade de largar tudo pra fazer isso, eu não pensaria duas vezes.Leia mais »

Só quero ver Você

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Hoje eu tirei parte do meu dia pra pensar em tudo aquilo que aconteceu em 2016. Na volta pra casa, até comentei com minha amiga que esses momentos de “balanço e fechamento” me deixam introspectiva demais, mas 2016 teve lá sua parcela a mais de contribuição para essa introspecção. Passei por coisas boas? Passei por coisas ótimas. Algumas não tão boas, eu confesso. Mas o que mais me chamou a atenção foi o que Jesus falou: “você lembra o que resgatamos juntos ao longo desses doze meses?”.

Eu me lembrava. Ele estava falando da minha identidade.

Eu sempre admirei a coragem e toda aquela ousadia de algumas pessoas em rasgar o peito no meio e deixar tudo sair sem reservas, mas por algum motivo, eu não conseguia fazer o mesmo. Não enxergava em mim algo que realmente mostrasse quem eu era. Passamos por momentos tão esquisitos ao longo desses doze meses que pensar em ser “você mesmo” se tornou algo perigoso em alguns momentos. Assistia tudo de longe, tentava conversar com algumas pessoas a respeito e achava tudo extremamente bonito, mas não conseguia entender, lá no início, porque aquela alegria em provar da identidade celestial não estava em mim. A resposta veio feito flecha.

Rotina.Leia mais »

Eu confesso: não sou evangélica

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Ouça enquanto lê:
https://www.youtube.com/watch?v=8G3rwLevNQA

Talvez isso soe um pouco esquisito, mas foi uma descoberta que fiz há pouco tempo. Não, eu não abandonei a fé, nem Cristo, nem a Igreja. Acontece que eu passei por um momento de quebra. Deus foi sutil no começo, mas chegou uma hora em que Ele simplesmente me jogou no chão, e eu me vi como um monte de cacos esparramados pelos cantos. Tem uma coisa que você precisa saber: na vida, Deus é o oleiro e você é o vaso. Se você orar pedindo pra que Ele te quebre, esteja ciente do que está pedindo, porque o processo de quebra e de reconstrução doem – mas valem a pena.

Deixei de ser faz tempo. Tudo bem, eu sei que “evangélico” significa “boas novas” etc e tal. Sei também que a nomenclatura traz sinônimos de paz, amor, bondade… A nomenclatura. Você nunca parou pra reparar na deturpação do termo “evangélico” por aí, seja dentro ou fora das quatro paredes? As boas novas, o amor, a paz, bondade simplesmente deixaram de existir em uma parcela considerável. Poucos entendem que ser evangélico tem muito mais a ver com Evangelho do que com o rótulo de. Substituíram aqueles braços acolhedores por dedos acusadores e passaram a crer numa hierarquia celestial que coloca Jesus como um Senhor inalcançável demais pra nós.Leia mais »